sexta-feira, 15 de julho de 2011

O real, o virtual e a natureza das interacções online.






Desde a década de 90 assiste-se a uma adopção e expansão acelerada da Internet, como meio de comunicação, o qual permite facilidade em comunicar de forma interpessoal e transmitir ou transferir informação, ou seja dá resposta à necessidade de interagir com o próximo, aceder a informações e alargar conhecimentos, características estas que vão de encontro a aspectos importantes da vida em sociedade. Neste âmbito, constata-se, que as práticas comunicativas mediadas pelo computador, são ricas em aspectos subjectivos, como se pode observar nas consequentes transformações que ocorrem nas actividades e práticas das pessoas envolvidas nas mesmas.

No decorrer deste processo, existem mediadores que têm um papel muito importante, assim é importante lembrar que a escrita é uma técnica que teve grande impacto na organização social, na organização do próprio pensamento e inclusive dos sentimentos dos indivíduos. A escrita tem um papel chave ao permitir a expressão da experiência individual, a qual não é nova, mas fica intensificada na comunicação mediada por computador.

O surgimento de uma nova forma de vivenciar as subjectividade inerentes ao individuo, pode ser observada pela interacção da imaginação, na criação de personagens, que se por vezes até se podem tornar modelos para outras pessoas. Desta forma criou-se o hábito de partilhar pensamentos privados, coloca-los à disposição de outros, em contextos públicos, através de diários online, etc. O indivíduo pode expressar-se de formas múltiplas no ciberespaço ou pode criar personagens, tornando-se ele próprio um personagem, inclusive um indivíduo pode apresentar-se online com vários perfis diferentes, como vários indivíduos diferentes.

Um dos aspectos que podem suscitar algum desagrado nos utilizadores, é o sentimento de pouca privacidade, no entanto o público e o privado são fronteiras que ficam cada vez mais diluídas com o uso das interacções online, uma vez que a mesma é feita ora em privado ora em público, consoante aquilo ou a forma como o utilizador pretende partilhar. Embora a Internet seja um espaço público, ele nem sempre é sentido como tal e isso pode ser observado nas vivências mais íntimas, como sejam a recepção de e-mails, as conversas de chat privadas, etc. Essa diluição de barreiras acontece também entre humano e máquina, onde neste caso a máquina é sentida como um veículo de ligação ao destinatário, como uma continuidade do utilizador, tal como o seria noutro meio de comunicação em contexto “real”, como por exemplo a sua fala ou audição.

Outras fronteiras se podem tornar obsoletas, como é também o paradigma do “real” e do virtual, onde surgem muitas vezes dúvidas sobre a sua real existência e a este nível pode-se constatar a transferência de signos em contexto virtual tal como no real, sendo que todos são reais, todos podem interferir na vida das pessoas, todos criam possibilidade de resposta e de regulação social e pessoal.


Os espaços virtuais ampliam e amplificam o intelecto. No entanto, outras linhas defendem que tudo o que não é feito pela consciência não existe no momento e espaço presente, desta forma até os pensamentos não estão presentes, pela ausência de ligação entre estruturas neuronais e consciência.

Um dos factores presente nestas formas de comunicação online é o modelo aberto e multi-direccional, sem fechamento e por vezes imprevisível, o qual traz a excitação da descoberta, da aventura, ao contrário dos modelos de comunicação fechados, algo previsíveis e unidireccionais, como é o caso dos livros, das palestras e outros.

A realidade virtual torna-se muito pertinente, porque reúne a tecnologia, o intangível e o potencial. O grau de virtualidade poderá indicar as possibilidades ou potencialidades existentes naquele momento.

O espaço virtual é um aspecto que muito se vê referido na literatura, no entanto é importante referir que o espaço onde se desenvolvem estas interacções, não é necessariamente um espaço físico, mas sim um espaço conceitual, de acordo com a forma de escrita, o hipertexto, o modelo da rede, etc.

Em resumo, as novas (já não tão novas assim) tecnologias da informação podem potenciar e gerar novos modelos de partilha e aquisição de conhecimento, permitem vivenciar aspectos subjectivos, potenciar a experiência individual, criar experiencias organizadoras do pensamento e dos sentimentos do individuo, dando também resposta às suas necessidades de partilha e socialização.


Fontes:
Sayeg, M. (1998). Interacção no Ciberespaço: Real ou Virtual?. Palestra apresentada integralmente no I PsicoInfo – Seminário Nacional de Psicologia e Informação.

Souza, R. O que é, Realmente, o Virtual?. consultado em
http://www.ccuec.unicamp.br/revista/infotec/artigos/renato.html, em 25 de Maio de 2011.



Cidália Cardeira

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